Dicas

Técnica câmbios

RELAÇÃO CORRETA
 
Transmissão de um carro pode receber modificações para ficar mais resistente e também melhorar seu desempenho!
 
1-final
 
Na tentativa de melhorar o desempenho de um automóvel, quase tudo é válido: aprimorar o sistema de admissão e escape, utilizar sobrealimentador, óxido nitroso, aumentar o deslocamento do motor, trocar de bloco ou até mesmo fazer uma reza braba! Mas, muitas pessoas não sabem que a caixa de marchas de cada carro é um componente capaz de receber modificações incríveis para auxiliar (e muito!) o desempenho.
O câmbio de um modelo original comum tem relação de marchas desenvolvida para atender uma ampla quantidade de demandas. Ele deve permitir boa aceleração, retomadas, velocidade máxima, ser pouco ruidoso e, ainda por cima, minimizar o consumo de combustível e auxiliar na emissão de poluentes. O resultado da soma de todas essas exigências é o mesmo de pedir para uma pessoa cozinhar enquanto toma um banho e, ainda por cima, tentar regular o carburador do seu carro: ela pode até conseguir fazer tudo, mas nenhuma das “missões” será cumprida com louvor. Por esse motivo, sempre é possível extrair maior desempenho ao se modificar as relações de marcha de um automóvel original.
Realizar modificações no câmbio, no entanto, não é uma tarefa simples. E, para que sua alteração seja eficiente, é necessário primeiramente discutir com o preparador quais aplicações o veículo terá — será utilizado em Track Day? Arrancada de 201 m? Arrancada de 402 m? Nas ruas? —, seu conjunto de pneus e rodas, relação de diferencial, além de analisar as curvas de torque e potência produzidas pelo motor. Mas, vamos partir do princípio para entender um pouco mais profundamente o câmbio e seus upgrades.
 
ENGRENANDO
 
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O sistema de transmissão é composto pelo conjunto de embreagem, eixos e engrenagens do câmbio, luvas, garfos, eixo cardã (se aplicável), diferencial, tulipas, homocinéticas, semieixos e cubo das rodas. Todas essas peças podem ser substituídas por outras mais resistentes, capazes de lidar com um nível de rendimento maior do que o original.
 
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A caixa de marchas permite com que a potência e torque do motor, gerados em forma de rotação, sejam aproveitados de acordo com a necessidade de quem dirige. Quando o máximo de força se faz necessário, o motorista recorre à 1º marcha, em que as rotações do motor são desmultiplicadas, o que multiplica o torque, porém, reduz a velocidade. Quando se busca maior velocidade, utiliza-se uma marcha que multiplica as rotações do motor, permitindo com que velocidades elevadas sejam alcançadas, porém, reduzindo a quantidade de força disponível. É exatamente por este motivo que uma retomada em 4ª marcha sempre será mais lenta que uma em 2ª, por exemplo: o motor parece fraco.
Toda vez que uma marcha é engrenada em um automóvel, uma dupla principal de engrenagens, chamadas de motora (que passa a rotação do motor) e movida (que recebe a rotação) é travada para que possam transmitir a rotação do motor com sua relação. Se a motora tiver 24 dentes e a movida 27, a sua relação será de 1,125:1 — ou seja, a motora dará 1,125 volta para cada volta completa da movida. Quanto maior for esse número, mais curta a marcha será, ao passo que um número cada vez mais próximo de zero deixará a marcha mais longa, atingindo velocidades, teoricamente, maiores. Após a divisão entre a movida e a motora, a rotação ainda será dividida pela coroa e o pinhão do diferencial, antes que chegue à roda.
 
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Cada ponto de contato das engrenagens sofre com níveis de esforços e temperatura severos, e seu projeto de fábrica prevê um valor máximo de torque que suportarão. Segundo Ribeiro Matozinhos, da Matoscar, diversas técnicas podem ser utilizadas para aumentar a resistência desses componentes. “Além de utilizarmos engrenagens forjadas, com maior resistência, podemos criar um conjunto de movida e motora com menor número de dentes, mas mantendo a mesma relação. Assim, cada ponto de contato entre as engrenagens fica maior, reforçado com mais material, o que permite suportar maior carga”, explica. Na prática, isso poderia ser realizado, por exemplo, com a substituição de um conjunto motora/movida de 12/30 dentes para outro com 6/15.
A maior espessura entre os dentes é desenvolvida para suportar maior dose de torque, que de acordo com Matozinho, é um dos principais problemas para o câmbio. “É o excesso de torque que faz um câmbio quebrar”, diz. O engenheiro Marcos Antônio Júnior, proprietário da Mutante, também explica que impactos são altamente prejudiciais para o câmbio e podem destruí-lo em uma só arrancada. “Ondulações ou imperfeições no asfalto que chacoalhem o carro na hora de largar é uma das piores coisas para o câmbio”, conta.
 
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João Roberto Tasso, da Sapinho Câmbios Especiais, vai além na explicação e informa que, em carros de Arrancada, a embreagem é um componente que pode “mandar para o além” as peças da transmissão caso esteja regulado de forma imprópria. “A embreagem é importantíssima, é o ponto que vai transferir a potência do motor para o câmbio. Se a embreagem dá uma deslizada e depois gruda, isso evita as quebras. Mesmo que tudo no câmbio esteja forjado, haverá quebra se a embreagem acoplar abruptamente. Se não quebrar a engrenagem, vai quebrar o rolamento, coroa e pinhão. Algo vai embora”, diz o especialista.
 
TROCAS RÁPIDAS
 
Uma confusão comum quando tratamos de upgrade em câmbio é entre a alavanca rápida e o engate rápido. Embora os nomes sejam parecidos, eles significam modificações distintas na caixa de marcha. “A alavanca rápida é um retrabalho na própria alavanca de trocas, que torna os engates mais justos e próximos”, explica Tasso, da Sapinho.
O engate rápido, por sua vez, é aplicado somente para veículos de Arrancada, como explica Junior, da Mutante. “Quando um motor é modificado e passa a atingir rotações muito acima do original, os sincronizadores (peças responsáveis por frear e igualar a rotação das engrenagens, evitando que arranhem na hora de engatar a marcha) não dão conta de reduzir a velocidade das engrenagens pela alta inércia, e o câmbio não engata”, explica.
O engate rápido consiste em um retrabalho na parte interna do câmbio, cujos anéis sincronizadores são substituídos por outros com menor número de dentes e os garfos são modificados, permitindo com que as marchas sejam engatadas em tempo reduzido e em rotações altíssimas. “Mas o desgaste desses componentes torna-se muito acentuado, o que torna esta modificação não recomendada para as ruas”, explica Junior. Componentes como as luvas (que acoplam os sincronizadores nas engrenagens) e garfos (que, realizam o acoplamento das luvas nos sincronizadores) também são modificados.
 
DESEMPENHO
 
É na relação das marchas e do diferencial que pode-se extrair maior desempenho. Tasso, da Sapinho Câmbios Especiais, exemplifica explicando que é possível aumentar a velocidade máxima de um Honda Civic Si somente com a modificação da sexta marcha. “Nós encurtamos um pouco a sexta marcha, o que permite que o motor ‘encha’ e alcance velocidade muito maior. A original é tão longa que o motor não tem força para empurrar o carro e vencer a resistência com o ar”, comenta Tasso. Por outro lado, um carro que recebe turbo pode utilizar uma quinta marcha mais longa, para ter maior velocidade máxima. “Por isso, não podemos dizer que relação curta é ruim e longa é boa”, explica.
É possível dizer, no entanto, que o princípio da melhoria no câmbio de um veículo aspirado é diferente do utilizado em um modelo turbinado, em função das características de cada motor. “Por conta do torque menor, é necessário uma relação mais curta e com quedas de rotação menores no caso de aspirado”, conta Júnior, da Mutante. “Encurtando as relações de câmbio, é possível aproveitar mais o rendimento”, completa. Já em um motor turbo, que tem faixa de torque e potência mais amplos, pode-se ter uma queda de giro maior nas trocas, já que a força extra desenvolverá a velocidade necessária até a potência máxima com facilidade.
A melhoria na caixa de marcha torna-se essencial para quem quer acelerar sem medo de quebras e, ainda por cima, melhora o desempenho do carro com o escalonamento adequado. É um upgrade recompensador!
 
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Fonte: Revista Full Power

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